Café Controverso discute a participação das mulheres na política brasileira

Edição 2018 do ciclo de debates do Espaço do Conhecimento UFMG volta neste sábado (10/03)

 

A participação das mulheres na politica brasileira será o tema da primeira edição do Café Controverso de 2018. O evento acontece neste sábado (10/03), às 11h, no Espaço do Conhecimento UFMG. As convidadas para o debate são Marlise Matos, professora do Departamento de Ciência Política da UFMG e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem), e Thaís Gonçalves, assessora na Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais (PRE-MG). O evento tem entrada gratuita e permite participação do público.

Marlise Matos diz que o objetivo fundamental dessa edição do Café Controverso é debater como o Brasil, no contexto em que vivemos, ainda continua apresentando taxas que excluem tanto as mulheres. “Discutir esse problema é muito importante, pois ele gera consequências em varias outras esferas. Quase todas relacionadas aos direitos e cidadania das mulheres”, afirma. Para pesquisadora, essa desigualdade representa uma exclusão política.

De acordo com dados de 2017 da União Interparlamentar e da ONU Mulheres, o Brasil ocupa a 32ª posição em um ranking de 33 países latino-americanos sobre participação das mulheres nos parlamentos nacionais. Com 10% de parlamentares eleitas, o país só fica à frente de Belize, na América Central. No ranking mundial de 172 países, também ocupamos uma das últimas posições, ficando em 154º lugar.

A professora destaca que essa exclusão é um problema da democracia brasileira, já que o eleitorado brasileiro é composto 52% por de mulheres. “A falta de representatividade faz com que, embora sejam a maior parte do eleitorado, as mulheres têm pouco espaço para trazer suas pautas e ideias aos espaços de poder”, ressalta. “Assim, muitas questões que impactam toda a sociedade e questões relativas à vida da mulher são decididas majoritariamente por homens”, conclui Marlise.

A partir de 2009, os partidos passaram a ser obrigados a comporem as chapas com pelo menos 30% de candidatas e investir no mínimo 5% do fundo partidário em participação feminina. Contudo, como aponta Thaís Gonçalves, que atua na fiscalização da lei, os avanços têm ficado apenas no papel: “Desde as últimas eleições, em 2014, nós percebemos um aumento no número de fraudes na candidatura de mulheres, como o recebimento de zero voto, a inexistência de campanha eleitoral e, em muitos casos, muitas delas nem sabiam que eram candidatas. Só a cota não é capaz de aumentar a participação feminina”, pondera a assessora do PRE-MG.

Ainda segundo Thaís, a principal dificuldade para alcançar essa igualdade é o fato de que os ocupantes do poder ainda não sentiram que a sub-representatividade feminina é um problema. Principalmente pela postura da sociedade de abafamento da voz da mulher, até mesmo no espaço doméstico. “É quase sempre sutil, não percebemos o machismo em nós. É necessário se atentar a ele nas pequenas falas e condutas do dia a dia. Sem isso não é possível alterar os quadros maiores de desigualdade”.

De acordo com Marlise, eventos como o Café Controverso são importantes para chamar a atenção para o problema e fazer com que as pessoas pensem quando escolherem seus candidatos também sobre uma perspectiva critica de gênero: “É possível combinar os interesses e seu alinhamento politico e ideológico e ser uma mulher. Não é só possível como também necessário e urgente, para expandir e avançar na conquista de mais direitos para mais da metade da população do país”.

Serviço:
Café Controverso - Mulheres em cargos no legislativo e executivo.
Sábado, 10 de março, às 11h. Cafeteria do Espaço do Conhecimento UFMG – Praça da Liberdade, 700, Funcionários, BH
Entrada gratuita

 

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